O ano inteiro deveria ser Amarelo
O ano inteiro deveria ser Amarelo

O ano inteiro deveria ser amarelo. Não somente setembro.
Em setembro, falamos mais sobre saúde mental.
Compartilhamos frases.
Publicamos campanhas.
Lembramos da importância de perguntar: “Você está bem?”
Mas e quando setembro termina?
A dor não acompanha o calendário.
A depressão não espera uma campanha.
A ansiedade não escolhe mês.
O desespero não aparece apenas quando estamos preparados para falar sobre ele.
Por isso, talvez precisemos de menos cuidado sazonal e mais presença durante o ano inteiro.
Precisamos perguntar “como você está?” em outubro, novembro, fevereiro, maio…
E, principalmente, precisamos estar dispostos a escutar quando a resposta não for “estou bem”.
Porque prevenção também acontece nas pequenas coisas.
Quando levamos o sofrimento de alguém a sério.
Quando não chamamos depressão de preguiça.
Quando não transformamos ansiedade em frescura.
Quando respeitamos limites.
Quando percebemos mudanças de comportamento.
Quando incentivamos alguém a procurar ajuda profissional.
Quando oferecemos presença sem julgamento.
E também quando construímos relações, famílias, escolas e ambientes de trabalho nos quais as pessoas não precisem adoecer em silêncio para continuar pertencendo.
Setembro Amarelo é importante.
Mas saúde mental não pode ser assunto apenas quando o calendário nos lembra dela.
Que o amarelo não seja apenas a cor de um mês.
Que seja a lembrança permanente de que existem dores que não aparecem nas fotografias, batalhas que ninguém vê e pessoas aparentemente fortes precisando desesperadamente de um lugar seguro para dizer:
“Eu não estou conseguindo.”
Que a gente fale sobre saúde mental em setembro.
Mas que a gente cuide dela de janeiro a janeiro.
Porque o sofrimento não tem mês marcado para chegar.
E o cuidado também não deveria ter.











